Semana Global do Dinheiro reforça literacia financeira entre jovens em Angola e nos PALOP

Governador do Banco Nacional de Angola defende que a educação financeira deve começar cedo para preparar as novas gerações para os desafios da economia moderna

A cidade de Luanda acolhe, entre os dias 16 e 22 de março, mais uma edição da Semana Global do Dinheiro, uma iniciativa internacional dedicada à promoção da literacia financeira entre crianças, adolescentes e jovens.

Durante a abertura das atividades, o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel António Tiago Dias, sublinhou que a educação financeira deve ser entendida como uma responsabilidade colectiva, envolvendo famílias, escolas, instituições financeiras e a sociedade em geral.

Segundo o responsável, preparar as novas gerações para lidar com dinheiro, poupança, investimento e gestão responsável de recursos tornou-se essencial num contexto económico cada vez mais dinâmico e exigente.

A campanha internacional, conhecida como Global Money Week, decorre este ano sob o lema “Conversas Inteligentes sobre Dinheiro”, mobilizando várias instituições públicas e privadas em Angola.


Actividades em Luanda e nas províncias

Em Luanda, o ponto central das actividades está instalado na Praça do Museu da Moeda, onde estudantes, jovens empreendedores e cidadãos podem participar em sessões educativas, exposições e demonstrações de produtos financeiros.

As iniciativas decorrem diariamente entre as 09h00 e as 15h30, estendendo-se também às delegações regionais e provinciais do banco central.

Entre os participantes encontram-se instituições como o Banco de Poupança e Crédito e o Banco Sol, que promovem acções de sensibilização sobre poupança, inclusão financeira e utilização consciente de serviços bancários.

A iniciativa representa já a 14.ª edição da campanha em Angola, consolidando-se como uma plataforma de diálogo sobre o futuro financeiro das novas gerações.


Movimento global de educação financeira

A campanha da Organisation for Economic Co‑operation and Development mobiliza anualmente dezenas de países, promovendo debates e iniciativas educativas voltadas para a gestão responsável do dinheiro.

No Brasil, as actividades são coordenadas pela Comissão de Valores Mobiliários, com o lema “Falar de Dinheiro Transforma”. Entre os momentos simbólicos está o tradicional toque de abertura da bolsa na B3 – Brasil Bolsa Balcão, acompanhado por palestras, oficinas e aulas gratuitas destinadas a estudantes.

Já em São Tomé e Príncipe, o Banco Central de São Tomé e Príncipe iniciou a campanha com acções direccionadas para escolas e universidades, incentivando o desenvolvimento da literacia financeira desde cedo.

Estas iniciativas demonstram que a educação financeira se tornou uma prioridade estratégica em vários países, incluindo os Estados africanos de língua portuguesa.


Literacia financeira e desafios nos PALOP

Nos países dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, especialistas defendem que a promoção da literacia financeira é um instrumento importante para reduzir desigualdades económicas, fortalecer a cultura de poupança e estimular o empreendedorismo juvenil.

Para muitos jovens, compreender conceitos básicos como orçamento familiar, crédito responsável e investimento pode representar a diferença entre dependência económica e autonomia financeira.


Nota Editorial – Reflexão Pressdigi

A educação financeira deixou de ser apenas um tema técnico do sector bancário para tornar-se uma ferramenta de cidadania e desenvolvimento social.

Num contexto em que os jovens são cada vez mais expostos ao consumo digital, ao crédito fácil e às novas formas de investimento, iniciativas como a Semana Global do Dinheiro revelam-se fundamentais para criar uma cultura de responsabilidade económica.

Nos países dos PALOP, onde uma parte significativa da população ainda enfrenta desafios de inclusão financeira, integrar conteúdos de literacia financeira nos currículos escolares, programas comunitários e plataformas digitais pode representar um passo decisivo para formar cidadãos mais conscientes, preparados e economicamente resilientes.

Fonte: J.A/Informação On Line – com alinhamento editorial do canal Pressdigi.