TEATRO MAR E “RAÍZES EM CENA” ABREM NOVO CICLO DAS ARTES CÉNICAS EM LUANDA

Encontro entre espaço cultural, identidade linguística e dramaturgia contemporânea, re-escrita adaptada pelo elenco da peça “Nós e as Ruas”, marca agenda artística de 17 e 18

LUANDA — O Teatro Mar, espaço cultural localizado no Futungo 2, Rua do Chamavo, afirma-se como um dos centros ativos de promoção das artes em Angola, reunindo teatro, artesanato, exposições e formação artística num mesmo ecossistema criativo. Em convergência com este cenário, a companhia Raízes em Cena prepara a sua ante-estreia oficial, marcando o arranque público de um projecto que une diversidade cultural, línguas nacionais e dramaturgia contemporânea.

A iniciativa integra-se numa linha de valorização das artes cénicas angolanas, com abertura para circulação nacional e internacional.


TEATRO MAR: UM HUB CULTURAL DE EXPRESSÃO ANGOLANA

O Teatro Mar consolida-se como um espaço multidisciplinar dedicado à criação e difusão artística. A sua programação integra diferentes frentes culturais:

  • Espetáculos teatrais com foco em narrativas históricas e sociais de Angola
  • Galeria de artes visuais com exposições regulares
  • Espaço de venda e valorização de artesanato nacional
  • Formação artística e eventos culturais diversos

Mais do que um palco, o espaço funciona como ponto de encontro entre criadores, público e economias criativas locais, reforçando a cadeia de valor da cultura angolana.


RAÍZES EM CENA: TEATRO COMO LINGUAGEM DE IDENTIDADE

A companhia Raízes em Cena apresenta-se como um colectivo pan-angolano de artes cénicas que transforma a diversidade cultural do país em linguagem teatral contemporânea.

O grupo trabalha com espectáculos em línguas nacionais — incluindo kikongo, kimbundu, umbundu, Oshiwambo e Tchokwe — cruzando corpo, oralidade e dramaturgia moderna para narrar histórias que atravessam passado e presente.

A sua proposta artística assenta em três eixos fundamentais:

  • Identidade e memória coletiva
  • Unidade na diversidade cultural
  • Teatro como espaço de diálogo entre Angola, África e o mundo

DIREÇÃO ARTÍSTICA E ESTRUTURA CRIATIVA

À frente do projecto está Daltron Costa, Director Artístico Geral e co-fundador, fotojornalista cultural e produtor, que actua na intersecção entre artes cénicas, audiovisual e diplomacia cultural.

O colectivo integra ainda um elenco e núcleo artístico com percursos consolidados:

Júlia Francisco Capemba (Mana Capemba)

Actriz sénior com percurso no teatro urbano e contemporâneo, incluindo participações em cinema, televisão e festivais internacionais.

Júlia Bernardo Kiala (Mamã Kiala)

Actriz e formadora, com forte ligação ao teatro comunitário e pedagógico, destacando-se na transmissão de valores culturais e éticos.

Marlen Maria Lúcia de Kamia Kanando (NDINELAO)

Artista associada, pesquisadora e mediadora cultural, com intervenção nas áreas de formação e políticas culturais, integrada via DIGITECHNOLOGY.

EXPANSÃO DO ELENCO: LÍNGUAS NACIONAIS EM CENA E EXPERIÊNCIA MULTIPLATAFORMA

A pré-estreia da peça “Memórias” ganha reforço artístico com a integração de duas figuras femininas de referência no panorama teatral angolano, reconhecidas pela sua versatilidade em palco e televisão, bem como pelo domínio de línguas nacionais aplicadas à interpretação cénica.

Trata-se das atrizes Solange Capalamga e Jully Quintas, que entram para o elenco como contributo determinante na construção linguística e dramatúrgica da obra.

  • Solange Capalamga traz consigo a expressividade da língua Tchokwe, reforçando a dimensão cultural do leste angolano no corpo narrativo da peça, com experiência consolidada em teatro e produções televisivas.
  • Jully Quintas acrescenta a força do Umbundu, ampliando a presença simbólica das centralidades culturais do planalto, também com percurso reconhecido entre teatro e televisão.

A presença destas duas intérpretes aprofunda o compromisso do projecto Raízes em Cena com a valorização das línguas nacionais em contexto artístico, elevando a peça para uma experiência cénica plurilingue, onde cada língua se assume como território vivo de memória e identidade.


PRÉ-ESTREIA: “MEMÓRIAS” ENTRE O RURAL E O URBANO

Nos dias 17 e 18 deste mês, o Raízes em Cena apresenta a sua pré-estreia oficial com a peça “Memórias”, um exercício cénico de forte carga simbólica e antropológica.

A narrativa desenvolve-se num cenário rural vivo, onde práticas quotidianas — da semente à mesa, da oralidade ao gesto — revelam a continuidade das tradições. No entanto, a chegada de elementos urbanos introduz uma fricção narrativa que reposiciona identidades, hábitos e pertenças.

Entre o campo e a cidade, constrói-se uma dramaturgia de transição:

“A cultura não se explica — vive-se.”

A peça propõe uma reflexão sobre a memória como espaço em movimento, onde o passado e o presente se cruzam sem se anularem, abrindo caminhos para futuros ainda em construção.


DIMENSÃO CULTURAL E DIPLOMACIA ARTÍSTICA

O projecto Raízes em Cena afirma também uma vocação internacional, posicionando-se como plataforma de intercâmbio cultural entre Angola e a diáspora.

Com abertura para:

  • Co-criações internacionais
  • Residências artísticas
  • Programas de mobilidade cultural
  • Parcerias com instituições públicas e privadas

O colectivo reforça o teatro como instrumento de diplomacia cultural e desenvolvimento humano.


FRASES DE IDENTIDADE ARTÍSTICA

  • Somos povos em cena, línguas em movimento
  • O palco como embaixada cultural
  • Diversidade que cria unidade
  • Teatro angolano com linguagem global

ENQUADRAMENTO EDITORIAL

Esta matéria integra a linha de cobertura cultural e artística da plataforma PRESS.digi, destacando iniciativas que promovem identidade, património imaterial e inovação nas artes cénicas em Angola.


FONTE

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