Ministro destaca avanços na conectividade, aponta desafios no acesso à internet e posiciona o ANGOTIC 2026 como plataforma estratégica para o futuro digital do país
VISÃO ESTRATÉGICA PARA UMA ECONOMIA DIGITAL INCLUSIVA
O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, afirmou, em Malanje, que a transformação digital em Angola só terá verdadeiro impacto se for inclusiva, defendendo um modelo que coloque o cidadão no centro das políticas tecnológicas.
A intervenção ocorreu na abertura do IV.º Conselho Consultivo do Sector, onde destacou que o país está inserido numa mudança de paradigma global impulsionada por tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas, big data e automação.
AVANÇOS NA CONECTIVIDADE E DESAFIOS PERSISTENTES
Angola regista progressos significativos no sector, tendo ultrapassado as metas de cobertura das tecnologias 3G e 4G previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional, com avanços consistentes rumo à implementação do 5G.
Actualmente, o país conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis e mais de 16 milhões de utilizadores de banda larga, números que, segundo o governante, representam uma sociedade em crescente conexão e uma economia em transformação.
Apesar dos avanços, o acesso desigual à internet continua a ser um dos principais desafios, afectando milhões de cidadãos e evidenciando a necessidade de maior inclusão digital.
TECNOLOGIA COMO MOTOR DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL
Para Mário Oliveira, a transformação digital deve traduzir-se em benefícios concretos para a população, incluindo a criação de empregos, melhoria da qualidade de vida, eficiência na governação e fortalecimento das competências da juventude.
O Executivo aposta no reforço de parcerias estratégicas, tanto a nível nacional como internacional, com foco na expansão da conectividade, inovação tecnológica e dinamização da economia digital.
ANGOTIC 2026: PLATAFORMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL
Durante a sua intervenção, o ministro anunciou oficialmente a realização do ANGOTIC 2026, que terá como lema “Na rota da Transformação Digital”, consolidando-se como um espaço de referência para o posicionamento de Angola no ecossistema digital regional e global.
O evento pretende reunir decisores, empresas, startups e especialistas, promovendo soluções inovadoras e reforçando a presença do país na economia digital internacional.
SEGURANÇA, ÉTICA E SOBERANIA DIGITAL
O governante alertou ainda para os riscos associados ao ambiente digital, como a desinformação e as desigualdades tecnológicas, sublinhando o compromisso do Executivo em garantir uma transformação digital segura, ética e centrada no cidadão.
A conectividade universal foi apontada como uma questão estratégica de desenvolvimento, equidade e soberania nacional.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
A transformação digital em Angola não deve ser analisada apenas como uma evolução tecnológica, mas como um processo estrutural de reorganização social, económica e cultural. A inclusão digital surge, neste contexto, como o verdadeiro indicador de desenvolvimento.
Quando milhões de cidadãos passam a estar conectados, não se trata apenas de números: trata-se de acesso à informação, educação, serviços, oportunidades e participação activa na construção do país.
O desafio central reside em evitar que a tecnologia aprofunde desigualdades já existentes. A expansão da conectividade deve caminhar lado a lado com a literacia digital, o acesso equitativo e a integração de sectores como educação, cultura e comunicação social.
Um modelo multissectorial, que envolva instituições públicas, sector privado e agentes culturais, poderá garantir que a transformação digital em Angola seja não apenas moderna, mas também humana, consciente e sustentável.
Neste sentido, iniciativas como o ANGOTIC representam mais do que eventos tecnológicos — são espaços de construção de pensamento, de partilha de conhecimento e de afirmação de uma nova cidadania digital angolana.
FONTE: Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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