Dia Internacional reforça a luta contra o racismo e resgata a dignidade dos povos africanos e da diáspora
O mundo assinala, a 25 de março, o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas, uma efeméride instituída pela Organização das Nações Unidas com o propósito de honrar milhões de homens, mulheres e crianças submetidos ao maior sistema de exploração forçada da história.
A data constitui um momento de reflexão global sobre as consequências históricas e contemporâneas deste fenómeno, bem como um apelo contínuo à justiça, à inclusão e à valorização da dignidade humana.
Memória global e consciência histórica
Estima-se que mais de 15 milhões de africanos tenham sido vítimas do tráfico transatlântico, num processo que moldou profundamente a história de vários continentes e cujos impactos ainda se fazem sentir nas estruturas sociais, económicas e culturais do mundo contemporâneo.
Para preservar essa memória, a Organização das Nações Unidas mantém iniciativas como o Programa de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Africanos Escravizados e a Escravidão, criado em 2007, que promove educação, investigação e sensibilização sobre este capítulo da história.
Tema 2026: “Justiça em Ação”
Sob o lema “Justiça em Ação”, as celebrações de 2026 destacam a necessidade de transformar a memória em medidas concretas, assentes em três pilares fundamentais:
- Transformação de sistemas: combate às ideologias racistas ainda presentes nas instituições;
- Empoderamento e reparação: promoção de políticas inclusivas para comunidades afrodescendentes;
- Dignidade: valorização da memória como instrumento de mudança social.
O tema reforça a urgência de enfrentar o passado com responsabilidade, projectando soluções que garantam equidade no presente e no futuro.
Iniciativas e mobilização internacional
As Nações Unidas organizam, anualmente, uma série de actividades que incluem sessões especiais na Assembleia Geral, exposições, debates e exibições educativas, com destaque para o programa “Remember Slavery”, que mobiliza instituições académicas e organizações da sociedade civil em todo o mundo.
A data serve igualmente para alertar sobre as formas contemporâneas de escravização, como o tráfico humano e o trabalho forçado, reforçando a necessidade de vigilância e acção global coordenada.
Memória, resistência e identidade
Para além da dor histórica, este dia celebra também a resistência dos povos africanos e da diáspora, que, mesmo diante da violência e da desumanização, preservaram culturas, identidades e formas de expressão que hoje constituem patrimónios universais.
A memória das populações escravizadas é, assim, também uma memória de luta, resiliência e afirmação humana.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
A forma como narramos a história define a forma como compreendemos o presente. Ao optar pela utilização do termo “pessoas escravizadas”, o canal PRESSdigi reafirma o compromisso com uma abordagem mais justa, consciente e humanizada da história.
Não existiram seres humanos cuja natureza fosse ser “escravo”; existiram, sim, sistemas e estruturas que escravizaram pessoas. Esta distinção, aparentemente subtil, representa um passo significativo na reconstrução de uma narrativa mais inclusiva e respeitosa.
Mais do que um exercício de memória, este dia deve ser encarado como um ponto de viragem — um convite à acção colectiva para combater o racismo estrutural, promover a justiça social e garantir que as futuras gerações herdem não apenas a história, mas também a responsabilidade de transformá-la.
Fonte: Programa das Nações Unidas
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao




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