Dionísio da Fonseca afirma, em Nova Iorque, que reparação não é favor, mas reconhecimento de um dano irreparável
O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, afirmou em Nova Iorque que “a justiça reparatória não é um favor, tampouco uma indemnização”, sublinhando que os danos causados aos povos africanos ao longo da história são de difícil — ou mesmo impossível — mensuração.
A intervenção ocorreu durante um evento de alto nível dedicado à justiça reparatória, onde Angola participa em representação do Chefe de Estado, reforçando a sua posição no debate internacional sobre memória histórica, reparação e equidade global.
Diálogo internacional sobre reparações e memória histórica
A iniciativa, promovida pelo Presidente do Gana, John Dramani Mahama, na qualidade de campeão da União Africana para as reparações, reúne líderes e especialistas para debater questões centrais como:
- A resistência dos povos africanos e da diáspora à escravização;
- As dimensões de género no tráfico transatlântico;
- Os impactos duradouros da escravização e da discriminação racial;
- A persistência do racismo estrutural nas sociedades contemporâneas.
O encontro decorre num momento simbólico, antecedendo as celebrações do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas, assinalado a 25 de março.
Proposta global: reconhecer o maior crime contra a humanidade
Um dos pontos centrais do encontro é a preparação de uma proposta de resolução a ser apresentada à Assembleia Geral das Nações Unidas, liderada pelo Gana, que visa reconhecer oficialmente o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como o maior crime contra a humanidade.
A iniciativa pretende não apenas reforçar o reconhecimento histórico, mas também impulsionar medidas concretas de reparação, inclusão e justiça social para os povos africanos e afrodescendentes.
Angola no centro do debate internacional
A presença de Angola neste fórum reafirma o seu papel activo nas discussões globais sobre justiça histórica e direitos humanos, alinhando-se com os esforços africanos para reposicionar a narrativa sobre o passado e construir pontes para um futuro mais equitativo.
A intervenção de Dionísio da Fonseca destaca-se como um apelo à responsabilidade colectiva, lembrando que a reparação ultrapassa a dimensão financeira, sendo, sobretudo, um acto de reconhecimento, dignidade e justiça histórica.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
A crescente mobilização internacional em torno da justiça reparatória revela uma mudança de paradigma: o mundo começa a encarar a história não apenas como memória, mas como responsabilidade activa.
Ao afirmar que a reparação não é um favor, Angola posiciona-se num debate essencial para o século XXI — o da reconstrução ética das relações entre povos, marcada por séculos de desigualdade e exploração.
Mais do que compensações materiais, a justiça reparatória exige transformação estrutural, reconhecimento institucional e inclusão efectiva. Trata-se de reescrever narrativas, corrigir silêncios históricos e construir uma consciência global mais justa.
Num mundo cada vez mais interligado, a reparação histórica deixa de ser uma questão do passado para se afirmar como um compromisso com o futuro.
Fonte: RNA/Em desenvolvimento (Painel Sociedade)
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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