Seminário no Cunene reúne Governo, parceiros internacionais e sociedade civil para debater soluções concretas de mitigação e adaptação às alterações climáticas, com foco na resiliência das comunidades.
CUANHAMA, CUNENE — O município do Cuanhama continua a afirmar-se como palco estratégico para o debate ambiental em Angola, ao acolher, desde o dia 25 de Março, um seminário dedicado à mitigação e adaptação às alterações climáticas, numa iniciativa do Ministério do Ambiente (MINAMB), em parceria com o Fórum de Energia e Clima, no quadro dos Diálogos UE–Angola.
O encontro reúne decisores públicos, especialistas, académicos, representantes do sector privado e organizações da sociedade civil, num esforço conjunto para enfrentar os desafios climáticos que impactam directamente o território nacional, com particular incidência na região sul.
Na abertura do evento, a Ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, destacou o carácter estratégico da iniciativa, sublinhando que o país está a dar passos firmes rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável:
“Este seminário representa um passo decisivo para garantir um crescimento inclusivo e sustentável, alinhado com os desafios ambientais globais e as necessidades locais.”
A governadora da província do Cunene, Gerdina Ulipamue Didalelwa, reforçou a dimensão prática do encontro, ao apontar o impacto directo das políticas climáticas na vida das populações:
“Com o apoio dos nossos parceiros, estamos confiantes de que poderemos melhorar significativamente a qualidade de vida dos cidadãos e criar novas oportunidades.”
Já a representante da União Europeia em Angola, Mateja Peternelj, reiterou o compromisso da organização com o país:
“Esta actividade reflecte uma visão comum de progresso, baseada na sustentabilidade, inclusão e inovação.”
Painéis estratégicos e soluções locais
O seminário estrutura-se em diversos painéis temáticos que abordam áreas críticas como a estratégia nacional para as alterações climáticas, a resiliência territorial, o combate à seca no sul de Angola, bem como a gestão sustentável dos recursos naturais.
Entre os temas em destaque estão ainda:
- Agricultura e agroecologia;
- Segurança alimentar familiar;
- Gestão da água e do solo;
- Inovação tecnológica aplicada à produção agrícola;
- Observatório climático e ambiental;
- Estudos comparativos internacionais, como o caso do Algarve (Portugal).
A valorização de sistemas tradicionais como as lishanas, partilhadas entre Angola e Namíbia, também surge como exemplo de integração entre saber local e ciência moderna.
Nota Editorial | PRESSDIGI (Sociedade Global)
Num país onde as alterações climáticas já se traduzem em fenómenos como a seca cíclica no sul, iniciativas desta natureza representam mais do que encontros institucionais — são plataformas de transformação social.
A aposta na educação ambiental e na capacitação técnica das comunidades revela-se fundamental para garantir uma resposta sustentável e duradoura. Ao envolver diferentes actores — do decisor político ao agricultor familiar — Angola demonstra uma abordagem integrada, onde o conhecimento científico dialoga com práticas tradicionais.
A cooperação internacional, particularmente com a União Europeia, reforça não apenas o financiamento e a transferência de tecnologia, mas também a construção de uma consciência global partilhada sobre a urgência climática.
Neste contexto, o impacto social é directo: comunidades mais resilientes, melhor gestão dos recursos naturais e novas oportunidades económicas baseadas na sustentabilidade. A educação ambiental surge, assim, como eixo estruturante para formar cidadãos mais conscientes, capazes de proteger o presente e garantir o futuro.
Fonte: Ministério do Ambiente (MINAMB)
Alinhamento Editorial: Sociedade Global — Pressdigi

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