SOCIEDADE & MEMÓRIA NACIONAL
O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, decretou Luto Nacional para a próxima sexta-feira, 22 de Maio de 2026, em homenagem às vítimas dos conflitos políticos que marcaram a história contemporânea do país entre Novembro de 1975 e Abril de 2002.
A decisão foi tornada pública através de Decreto Presidencial, determinando que o luto seja observado em todo o território nacional, bem como nas missões diplomáticas e consulares angolanas no exterior.
Estado reafirma valores de paz e reconciliação nacional
No documento oficial, o Chefe de Estado sublinha a necessidade de honrar a memória de todos os cidadãos angolanos que perderam a vida durante o longo período de conflito político e militar vivido pelo país após a Independência Nacional.
O decreto reconhece igualmente o sofrimento colectivo enfrentado pelo povo angolano ao longo de décadas marcadas pela instabilidade, deslocamentos populacionais, destruição de infra-estruturas e perdas humanas profundas.
A Presidência da República considera ainda que o acto representa um compromisso institucional com a preservação da memória histórica nacional, bem como com o reforço dos princípios da paz, reconciliação e unidade entre os angolanos.
Bandeira Nacional será colocada a meia-haste
De acordo com o diploma presidencial, o Luto Nacional terá duração de um dia, devendo ser observado entre as 00h00 e as 23h59 do dia 22 de Maio de 2026.
Durante o período de luto:
- A Bandeira Nacional deverá ser colocada a meia-haste;
- Serão cancelados espectáculos e manifestações públicas;
- As instituições públicas deverão observar o protocolo correspondente à data.
A medida enquadra-se nas disposições da Lei sobre o Luto Nacional e Provincial, aprovada pela Lei n.º 5/11, de 21 de Janeiro.
Memória histórica e construção da reconciliação
A proclamação do Luto Nacional surge num contexto de contínuo esforço de preservação da memória colectiva e valorização dos processos de reconciliação nacional em Angola.
Entre Novembro de 1975 e Abril de 2002, o país viveu um dos períodos mais difíceis da sua história, marcado por confrontos políticos e militares que afectaram profundamente diferentes gerações de angolanos.
O fim oficial do conflito armado, alcançado em Abril de 2002, abriu caminho para a reconstrução nacional, estabilidade institucional e desenvolvimento social e económico do país.
Reflexão colectiva sobre paz e unidade
Analistas consideram que iniciativas desta natureza reforçam a importância da memória histórica como instrumento de consciencialização colectiva, sobretudo junto das novas gerações que não viveram directamente o período da guerra.
O gesto simbólico do Estado angolano é igualmente interpretado como uma mensagem de valorização da paz, da convivência democrática e da necessidade permanente de diálogo nacional.
Num país multicultural e marcado por diferentes sensibilidades políticas e históricas, a reconciliação continua a ser apontada como um dos pilares fundamentais para o fortalecimento da coesão social e do desenvolvimento sustentável.
Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

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