CULTURA & PATRIMÓNIO AFRICANO
A República de Angola reafirmou, em Paris, o seu compromisso com a preservação, valorização e restituição do património cultural africano durante a 14.ª Sessão do Comité Subsidiário da Reunião dos Estados-Partes da Convenção de 1970 da UNESCO, realizada nos dias 18 e 19 de Maio.
A participação angolana decorreu num momento estratégico para o continente africano, marcado pelo crescente debate internacional em torno da devolução de peças históricas e artefactos culturais retirados de África durante os períodos coloniais e actualmente presentes em museus, colecções privadas e instituições estrangeiras.
Angola defende restituição ética e cooperação internacional
A delegação angolana foi liderada pela Secretária de Estado para a Cultura, Maria da Piedade de Jesus, acompanhada pela Representante Permanente de Angola junto da UNESCO.
Durante os trabalhos, Angola destacou-se pelo posicionamento firme no combate ao tráfico ilícito de bens culturais e pela defesa de mecanismos diplomáticos e jurídicos que facilitem o regresso de patrimónios históricos aos seus países de origem.
Na sua intervenção, Maria da Piedade de Jesus defendeu que os processos de restituição devem basear-se no diálogo ético, cooperação internacional e boa-fé entre os Estados.
“O património cultural é a alma da nossa nação. A nossa presença neste Comité é um testemunho da vontade política do Executivo angolano em garantir que a história do nosso país seja preservada e, quando necessário, devolvida ao seu povo”, afirmou a governante.
Combate ao tráfico ilícito de bens culturais
Outro ponto central da participação angolana foi o reforço das políticas de protecção patrimonial e prevenção da exportação ilegal de objectos culturais.
Angola apresentou os avanços alcançados na modernização dos instrumentos nacionais de inventariação e monitorização patrimonial, com destaque para a implementação de inventários digitais destinados ao controlo e rastreamento de bens históricos e culturais.
A iniciativa pretende fortalecer os mecanismos de identificação, preservação e recuperação de peças de elevado valor histórico, artístico e espiritual que permanecem fora do território nacional.
África reforça pressão internacional pela devolução do património
Durante a sessão da UNESCO, Angola associou-se igualmente ao apelo colectivo dos países africanos por maior assistência técnica internacional, sobretudo no reforço das capacidades aduaneiras, policiais e institucionais na África Subsaariana.
O tráfico ilegal de antiguidades e objectos culturais continua a preocupar organizações internacionais, governos africanos e especialistas em património, devido ao crescimento do mercado clandestino global de arte e antiguidades africanas.
Especialistas defendem que a restituição do património africano representa não apenas uma reparação histórica, mas também um acto de reconhecimento da memória, identidade e soberania cultural dos povos africanos.
Património cultural como afirmação da identidade nacional
A participação activa de Angola na 14.ª Sessão da UNESCO reforça o posicionamento do país como um actor comprometido com a valorização da cultura africana e com a defesa da memória histórica continental no cenário internacional.
O país tem vindo igualmente a intensificar os esforços para a inscrição de novas manifestações culturais angolanas na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, promovendo a preservação das tradições, línguas, práticas ancestrais e expressões artísticas nacionais.
Num contexto global de crescente valorização das identidades culturais africanas, Angola procura consolidar-se como voz activa na defesa do património histórico do continente e na construção de uma diplomacia cultural baseada na memória, justiça histórica e cooperação internacional.
Fonte: REDE NACIONAL |Ministério da Cultura
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao


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