“Trilogia Ecos do Silêncio” leva a criatividade angolana à Grécia no maior congresso internacional de pesquisa em dança

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Projeto multidisciplinar de Fady Nakussima e André Baptista representa Angola no 64.º Congresso Internacional de Pesquisas em Dança, em Atenas, unindo literatura, dança e fotografia numa linguagem artística contemporânea

A criação artística angolana prepara-se para conquistar mais um importante palco internacional com a apresentação da “Trilogia Ecos do Silêncio”, projeto multidisciplinar liderado pela escritora e artista Fady Nakussima, em parceria com o coreógrafo André Baptista, durante o 64.º Congresso Internacional de Pesquisas em Dança, que decorre de 2 a 5 de julho, no Teatro Dora Stratou Dance, em Atenas, Grécia.

Organizado pelo Conselho Internacional da Dança (CID-UNESCO), o congresso reúne investigadores, coreógrafos, bailarinos e criadores de diversas partes do mundo, constituindo uma das mais relevantes plataformas internacionais dedicadas à investigação e inovação nas artes do movimento.

Literatura, dança e fotografia unem-se numa proposta artística inovadora

A “Trilogia Ecos do Silêncio” apresenta-se como um projeto de natureza interdisciplinar, onde literatura, dança popular e contemporânea, fotografia artística e performance dialogam para construir uma narrativa cénica sobre memória, identidade, cura e transformação.

A obra propõe uma experiência sensorial em que o corpo deixa de ser apenas instrumento de expressão para se tornar território de reflexão, resistência e reconstrução, projetando uma visão contemporânea da criação artística angolana no contexto internacional.

Delegação angolana leva seis criadores a Atenas

A comitiva que representa Angola é composta por seis integrantes, reunindo diferentes especialidades artísticas:

  • Fady Nakussima — autora e diretora criativa;
  • André Baptista — coreógrafo principal;
  • Duas bailarinas;
  • Uma fotógrafa;
  • Uma editora.

A equipa parte com a expectativa de que o percurso iniciado em Luanda encontre continuidade em Atenas, ampliando o alcance internacional da proposta artística e promovendo novas possibilidades de intercâmbio cultural.

Estreias em Luanda serviram de preparação para o circuito internacional

Antes da apresentação na Grécia, a “Trilogia Ecos do Silêncio” realizou um conjunto de sessões em Luanda, nomeadamente no Palácio de Ferro, no Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN) e no Epic Sana Luanda, espaços que funcionaram como laboratório artístico para a estreia internacional.

Segundo Fady Nakussima, a resposta do público ultrapassou as expectativas iniciais.

As apresentações demonstraram o interesse crescente por propostas artísticas que vão além do entretenimento convencional, privilegiando abordagens que estimulam a reflexão sobre o corpo, a sociedade e a experiência humana.

O corpo como extensão da literatura

Para Fady Nakussima, a dança representa a materialização da palavra escrita.

A autora explica que a essência da trilogia encontra-se nas suas obras literárias “Visceral”, “Vísceras” e “Wesungi”, publicadas internacionalmente, que servem de base conceptual para toda a construção cénica.

Nesta proposta artística, a literatura assume o papel de diagnóstico das inquietações humanas, enquanto a dança surge como linguagem capaz de traduzir visual e emocionalmente esse processo de transformação.

André Baptista destaca adaptação da performance ao palco europeu

O coreógrafo André Baptista revelou que a apresentação em Atenas será adaptada às características do congresso e ao número de intérpretes presentes.

Segundo o responsável artístico, o espetáculo procura sintetizar três dimensões complementares:

  • A profundidade intelectual da literatura;
  • A força visual da fotografia fine art;
  • A expressividade do movimento corporal.

O objetivo passa por apresentar uma criação contemporânea capaz de dialogar com diferentes públicos e comunidades artísticas internacionais.

Património cultural angolano em diálogo com o mundo

A equipa considera que cada uma das apresentações realizadas em Luanda contribuiu para consolidar diferentes dimensões da obra.

O Palácio de Ferro reforçou a ligação à ancestralidade; o Memorial Dr. António Agostinho Neto destacou a relação entre memória e identidade; enquanto o Epic Sana proporcionou um enquadramento técnico compatível com os padrões internacionais da plataforma Nakussima Heritage.

Para os criadores, esta diversidade fortalece a capacidade da obra dialogar com diferentes contextos culturais sem perder a sua identidade angolana.

Nakussima Heritage reforça presença internacional

A participação no congresso representa igualmente um momento simbólico para a plataforma Nakussima Heritage, recentemente integrada como membro oficial do Conselho Internacional da Dança (CID-UNESCO).

Esta integração amplia as oportunidades de cooperação internacional, circulação artística e desenvolvimento de projetos que aproximam literatura, dança, fotografia e investigação académica.

Cultura angolana amplia a sua presença nos grandes palcos internacionais

A presença da “Trilogia Ecos do Silêncio” na Grécia representa mais um passo na crescente internacionalização da produção artística angolana.

Ao reunir diferentes linguagens criativas numa única proposta estética, o projeto evidencia a capacidade dos criadores nacionais de dialogar com os grandes debates contemporâneos sobre arte, corpo, identidade e património cultural.

A participação no congresso internacional reforça igualmente o papel da cultura como instrumento de diplomacia, intercâmbio entre povos e valorização da criatividade angolana nos circuitos artísticos globais.

Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola.

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