ÁFRICA PRECISA AGIR ANTES QUE AS CRISES SE TRANSFORMEM EM GUERRAS, DEFENDE JOÃO LOURENÇO

CLASSE | DIPLOMACIA & PAZ | UNIÃO AFRICANA

REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Prevenção como prioridade continental

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, defendeu, este domingo, em Luanda, o reforço dos mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos, apelando à mobilização coordenada dos instrumentos políticos, diplomáticos, financeiros e institucionais disponíveis no continente.

A posição foi apresentada durante a abertura da 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), realizada sob o tema “Reforçar os Mecanismos de Prevenção e Resolução dos Conflitos em África”.

Na sua intervenção, o Chefe de Estado considerou fundamental que África seja capaz de actuar antes que as tensões políticas, sociais ou institucionais evoluam para confrontos armados.

“Devemos mobilizar os instrumentos políticos, diplomáticos, financeiros e institucionais de que dispomos para prevenir os conflitos antes que estes se transformem em guerras.”

Decisões com aplicação concreta

Para João Lourenço, o desafio continental não está apenas na existência de mecanismos de paz e segurança, mas na capacidade de os tornar mais eficazes e assegurar a implementação das decisões adoptadas pelos Estados-membros.

Neste sentido, defendeu a adopção de medidas concretas, responsabilidades claramente definidas e instrumentos eficazes de acompanhamento, de modo a transformar as decisões políticas em resultados verificáveis no terreno.

A prevenção deve, segundo o Presidente angolano, ocupar uma posição central na arquitectura africana de paz, permitindo antecipar crises, mediar tensões e reduzir os riscos de escalada dos conflitos.

Paz e desenvolvimento caminham juntos

O Estadista angolano destacou igualmente a relação directa entre paz, segurança, estabilidade e desenvolvimento sustentável.

Para João Lourenço, a estabilidade constitui uma condição indispensável para a consolidação dos Estados, a melhoria das condições de vida das populações e o avanço da integração económica continental.

A construção de um continente mais seguro e próspero está também associada à concretização da Agenda 2063 — “A África que Queremos”, cuja realização depende de condições duradouras de paz e estabilidade.

A experiência da Presidência angolana da UA

João Lourenço recordou que, durante o exercício da Presidência da União Africana, em 2025, Angola colocou a paz, a segurança e a estabilidade entre as principais prioridades da agenda continental.

Segundo o Presidente da República, esta orientação partiu do entendimento de que não pode existir desenvolvimento sustentável, integração económica efectiva ou melhoria consistente das condições de vida sem segurança e estabilidade.

Entre os momentos destacados esteve a reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, realizada a 24 de Setembro de 2025, em Nova Iorque, dedicada à prevenção e resolução dos conflitos no continente.

A reflexão então desenvolvida reforçou a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos africanos destinados à prevenção de crises, à mediação e à implementação efectiva das decisões dos Estados-membros.

Uma África capaz de antecipar as crises

Na perspectiva apresentada pelo Chefe de Estado, a estratégia africana deve evoluir de uma lógica predominantemente reactiva para uma abordagem cada vez mais preventiva e antecipatória.

Isso significa identificar sinais de instabilidade, promover o diálogo e a concertação e mobilizar atempadamente os mecanismos continentais antes que as divergências assumam uma dimensão militar.

A ambição, sublinhou João Lourenço, é contribuir para que as futuras gerações possam viver num continente livre de guerras e conflitos violentos, mais integrado, seguro e próspero.

Angola reafirma compromisso com a paz

Ao encerrar a sua intervenção, o Presidente da República reafirmou a disponibilidade de Angola para continuar a contribuir para o diálogo, a concertação e a procura de soluções africanas para os grandes desafios do continente.

A Cimeira Extraordinária de Luanda surge, assim, como espaço de reflexão sobre a capacidade da União Africana de fortalecer os seus mecanismos de prevenção e resolução de conflitos e de transformar compromissos políticos em respostas concretas para a paz e a segurança em África.

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