Angola projeta liderança no Atlântico Sul e reforça compromisso com a paz na IX Reunião da ZOPACAS

Téte António defende cooperação estratégica, segurança marítima e desenvolvimento sustentável num oceano cada vez mais central na geopolítica global

ATLÂNTICO SUL NO CENTRO DA DIPLOMACIA GLOBAL

O Ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, participou nesta quinta-feira, 09 de Abril, no Rio de Janeiro, na IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), um dos mais relevantes fóruns multilaterais que congrega países africanos e sul-americanos.

O encontro, iniciado a 08 de Abril, ficou marcado pela transição da presidência rotativa para o Brasil, que assume o mandato pelos próximos três anos, sucedendo a Cabo Verde.


RECONHECIMENTO E CONTINUIDADE INSTITUCIONAL

Na sua intervenção, o chefe da diplomacia angolana felicitou o Brasil pela nova liderança e destacou o papel desempenhado por Cabo Verde, sublinhando que o seu mandato contribuiu para manter a relevância política da organização num contexto internacional cada vez mais exigente.


UM OCEANO DE OPORTUNIDADES E DESAFIOS

Téte António enfatizou que o Atlântico Sul deixou de ser apenas um espaço geográfico, assumindo-se como um vector estratégico de segurança, desenvolvimento e afirmação dos Estados.

Num cenário global marcado pela intensificação das disputas geopolíticas, pela reconfiguração das cadeias logísticas e pela pressão sobre os recursos naturais, o governante destacou que este espaço marítimo exige coordenação, vigilância e acção conjunta entre os Estados membros.


SEGURANÇA MARÍTIMA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Entre os principais desafios apontados, destacam-se:

  • Tráfico ilícito e criminalidade transnacional
  • Pesca ilegal
  • Impactos das alterações climáticas nos ecossistemas marinhos
  • Vulnerabilidade das comunidades costeiras

Angola defende uma abordagem integrada, que articule segurança, preservação ambiental e desenvolvimento económico sustentável.


DA DECLARAÇÃO À ACÇÃO ESTRATÉGICA

O Ministro angolano apelou à necessidade de transformar a ZOPACAS numa plataforma de coordenação efectiva, com capacidade de produzir نتائج concretos.

A Declaração do Rio de Janeiro e a nova Estratégia de Cooperação devem, segundo o governante, traduzir um compromisso político renovado, assente em acções práticas e resultados tangíveis.


REFORÇO INSTITUCIONAL E SOBERANIA MARÍTIMA

No plano jurídico e estratégico, foi destacada a importância da Convenção para a Protecção e Desenvolvimento dos Recursos Marinhos do Atlântico Sul, entendida como instrumento fundamental para afirmar a soberania dos Estados sobre os seus recursos e garantir a sua preservação.

Angola defende ainda:

  • Reforço da cooperação Sul-Sul
  • Investimento em ciência e tecnologia marinha
  • Partilha de capacidades entre Estados
  • Governação oceânica inclusiva

ZOPACAS: 40 ANOS DE COOPERAÇÃO REGIONAL

Criada em 1986, através da Resolução 41/11 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a ZOPACAS reúne 24 países das duas margens do Atlântico Sul.

Ao longo de quatro décadas, a organização consolidou-se como um espaço de articulação para:

  • Promoção da paz e segurança regional
  • Protecção ambiental
  • Conservação dos recursos naturais
  • Desenvolvimento económico e social

VISÃO DE FUTURO E COMPROMISSO ANGOLANO

Téte António reiterou que Angola considera a ZOPACAS uma plataforma estratégica essencial e reafirmou o compromisso do país com os seus princípios fundadores.

O governante defendeu uma nova ეტაპa para a organização, marcada por maior ambição, coordenação e capacidade de acção, num contexto internacional em constante transformação.


NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI

O Atlântico Sul, historicamente marcado por fluxos culturais, económicos e humanos entre África e América do Sul, assume hoje uma nova centralidade geopolítica. O que antes era apenas rota, transforma-se agora em território estratégico de disputa, cooperação e afirmação soberana.

A participação activa de Angola na ZOPACAS revela uma leitura madura deste novo cenário global, onde o mar deixa de ser fronteira para tornar-se ponte de desenvolvimento. Mais do que discursos, o momento exige acção coordenada, investimento em conhecimento e compromisso político real.

Num mundo em reconfiguração, a capacidade dos Estados africanos de se posicionarem de forma estratégica será determinante. E é neste eixo atlântico que se joga, em parte, o futuro da integração, da segurança e da prosperidade partilhada entre povos historicamente ligados.

FONTE: GCII-MIREX
ALINHAMENTO EDITORIAL: PRESSdigi.ao