Movimento cultural presta homenagem à poetisa na 20.ª edição da “Poesia ao Vivo”, reafirmando o legado do spoken word e da intervenção artística em Angola
HOMENAGEM QUE ECOA NA CENA CULTURAL
A poetisa angolana Bel Neto será homenageada nesta quinta-feira, às 18h00, no Sindicato da Cerveja, junto à Praça da Independência, em Luanda, durante a 20.ª edição da Poesia ao Vivo, promovida pelo Movimento Cultural e Literário Lev’Arte.
O evento reúne poetas, músicos, artistas plásticos e bailarinos, num ambiente de celebração artística com microfone aberto, promovendo a livre expressão e a partilha de emoções.
POESIA COMO MEMÓRIA E RESISTÊNCIA
Segundo o vice-coordenador do núcleo do Lev’Arte em Luanda, Luz Candeia, a homenagem visa resgatar e valorizar a produção literária de Bel Neto, destacando a sua contribuição para a poesia contemporânea angolana.
Durante o certame, serão declamados textos da autora, num exercício de memória colectiva que reafirma o papel da poesia como instrumento de denúncia, reflexão e transformação social.
UMA VOZ QUE MARCOU UMA GERAÇÃO
Bel Neto destacou-se como uma das vozes mais autênticas do spoken word em Angola, integrando uma geração que consolidou a poesia como forma de intervenção urbana e social.
A sua escrita, marcada pela ousadia e sensibilidade, abordava temas como:
- A condição feminina
- As relações sociais
- O amor erótico
- A denúncia de injustiças sociais
Num contexto onde a publicação poética enfrenta desafios, Bel Neto fez da palavra um espaço de resistência e afirmação.
LEV’ARTE: ARTE COMO TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Com mais de uma década de actuação, o Movimento Lev’Arte afirma-se como uma das mais importantes plataformas culturais do país, promovendo a leitura, a escrita e a intervenção artística em diversas províncias.
Através de iniciativas comunitárias, festivais e projectos educativos, o movimento tem desempenhado um papel determinante na formação de novos talentos e na democratização do acesso à cultura.
BIOGRAFIAS
Bel Neto (1987–2026)
Poetisa, escritora e slammer angolana, Bel Neto — pseudónimo de Isabel Jussara da Silva Neto — destacou-se pela sua escrita ousada e profundamente sensível, centrada na condição feminina, no amor e na crítica social. Licenciada em Língua Portuguesa e Comunicação, integrou movimentos como Lev’Arte, Berço Literário e Elas e as Letras. Foi finalista do Luanda Slam (2016 e 2017) e alcançou o 3.º lugar na FLUP (Brasil, 2017). Participou em diversas antologias e publicou obras marcantes, sendo uma das vozes mais influentes da nova geração literária angolana. Faleceu a 17 de Março de 2026, em Luanda, deixando um legado incontornável.
Movimento Lev’Arte
Plataforma cultural e literária angolana, activa há mais de 17 anos, dedicada à promoção da leitura, arte e diversidade cultural. Sem fins lucrativos, desenvolve projectos em várias províncias, com destaque para feiras do livro, festivais de poesia e acções comunitárias. O movimento aposta na inclusão cultural, educação artística e intervenção social, consolidando-se como um dos pilares da dinamização cultural em Angola.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI
A partida prematura de Bel Neto não silencia a sua voz — pelo contrário, amplia-a. Na tradição africana, a palavra é memória viva, e a poesia, quando comprometida com o seu tempo, transforma-se em instrumento de continuidade histórica.
O fenómeno do spoken word em Angola representa uma nova etapa da oralidade ancestral, onde jovens criadores resgatam a palavra como arma simbólica de afirmação, denúncia e reconstrução identitária. Bel Neto foi uma dessas vozes — inquieta, sensível e necessária.
Ao eternizar a poetisa, o Lev’Arte reafirma o papel da cultura como espaço de resistência e consciência colectiva. Mais do que homenagem, este acto é um chamado à continuidade: que novas vozes surjam, que novas palavras se levantem e que a poesia continue a ser território de liberdade.
FONTE: Rede Nacional | Jornal de Angola
ALINHAMENTO EDITORIAL: PRESSdigi.ao

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