Ministro Filipe Zau destaca papel estratégico dos museus na preservação da identidade cultural angolana e na construção de uma visão moderna do património nacional

CULTURA & PATRIMÓNIO | 1.ª JORNADA NACIONAL DOS MUSEUS ENCERRA EM LUANDA COM OLHAR PROJECTADO PARA O FUTURO DA MEMÓRIA COLECTIVA

A capital angolana acolheu, no passado 18 de Maio, a cerimónia de encerramento da 1.ª Jornada Nacional dos Museus, realizada no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, numa iniciativa promovida pela Direcção Nacional dos Museus, afecta ao Ministério da Cultura.

Decorrida entre os dias 5 e 18 de Maio, sob o lema “Museus, unindo um mundo dividido”, a jornada reuniu especialistas, investigadores, gestores culturais e profissionais do sector museológico nacional e internacional, num amplo espaço de reflexão sobre o presente e o futuro do património cultural angolano.

Museus como guardiões da memória e instrumentos de construção do futuro

Ao orientar a cerimónia de encerramento, o Ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, destacou o papel histórico desempenhado pelos museus em Angola, defendendo uma visão mais dinâmica, inclusiva e contemporânea destas instituições culturais.

Segundo o governante, os museus representam importantes centros de preservação da memória colectiva e da identidade nacional, além de desempenharem um papel educativo e científico fundamental para as novas gerações.

Filipe Zau recordou que os primeiros museus em território angolano surgiram entre as décadas de 1910 e 1930, ainda durante o período colonial, associados às dinâmicas científicas e de investigação etnográfica da época.

Entre as instituições históricas referidas estiveram o Museu Etnológico de Angola e Congo, o Museu do Dundo e o antigo Museu de Angola, estruturas que desempenharam um papel relevante na recolha, conservação e estudo de artefactos culturais e etnográficos do país.

Património cultural exige modernização e inclusão

Durante a sua intervenção, o Ministro defendeu a necessidade de modernizar os museus nacionais, tornando-os mais acessíveis, interactivos e preparados para responder aos desafios contemporâneos da educação, da investigação e da valorização cultural.

“O museu não deve ser apenas um espaço de conservação do passado, mas também um centro activo de construção do futuro e de afirmação da identidade cultural dos povos”, sublinhou.

O governante recorreu ainda a uma reflexão do filósofo e político irlandês Edmund Burke, ao afirmar que “os povos que não olham para trás, para os seus antepassados, não serão capazes de olhar para a frente, rumo à prosperidade”.

Intercâmbio de experiências reforça sector museológico nacional

Ao longo da jornada, os participantes realizaram visitas técnicas a diversos museus do país, onde trocaram experiências ligadas à conservação, exposição, investigação e gestão do património cultural.

As actividades permitiram igualmente aprofundar debates sobre os desafios da museologia contemporânea em Angola, incluindo a digitalização dos acervos, preservação preventiva, valorização das culturas locais e aproximação dos museus às comunidades.

Especialistas presentes defenderam ainda uma maior integração entre os sectores da cultura, turismo, educação e investigação científica, como estratégia para fortalecer a sustentabilidade e relevância dos museus no desenvolvimento nacional.

Cultura, identidade e desenvolvimento

A realização da 1.ª Jornada Nacional dos Museus surge numa altura em que Angola intensifica políticas de valorização do património histórico e cultural, promovendo iniciativas voltadas para a preservação da memória colectiva e fortalecimento da identidade nacional.

A aposta na modernização museológica representa também uma oportunidade para dinamizar o turismo cultural, estimular a investigação científica e reforçar os mecanismos de transmissão dos saberes ancestrais às novas gerações.

Fonte: REDE NACIONAL | Ministério da Cultura de Angola
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