Tributo no Cefojor reúne vozes consagradas para reviver a obra de um dos maiores intérpretes da música angolana
UM TRIBUTO QUE ECOA NA HISTÓRIA DO SEMBA
A memória e a obra de Bernardo Jorge “Bangão” voltam ao centro da cultura angolana com um tributo especial no projecto Caldo do Poeira, a realizar-se neste domingo, às 10h00, no quintal do Cefojor, em Luanda.
A iniciativa, fruto de uma parceria entre a Rádio Nacional de Angola (RNA) e o Prova d’Art Miramar, reúne nomes como Mister Kim, Guilhermino, Fiel Didi, Chiquinha Bangão, Chilola de Almeida e Malu, numa viagem sonora pelos grandes clássicos do artista.
Com participação especial de Mito Gaspar, directamente de Malanje, e acompanhamento instrumental da Banda Movimento, o espectáculo reafirma o semba como expressão viva da identidade nacional.
REENCONTRO DE GERAÇÕES PELA MÚSICA
Mais do que um concerto, o evento propõe um reencontro entre gerações, onde artistas com ligação directa ao percurso de Bangão revisitam temas que marcaram épocas e continuam a ecoar no imaginário colectivo.
Guilhermino, antigo companheiro no conjunto Os Gingas, e Fiel Didi, impulsionador da carreira do artista, juntam-se a novas vozes que mantêm viva a essência do semba, numa fusão entre tradição e continuidade.
Num mês dedicado às mulheres, a presença de Malu e Chiquinha Bangão acrescenta sensibilidade e força feminina a uma homenagem carregada de emoção.
CALDO DO POEIRA COMO PALCO DA MEMÓRIA CULTURAL
Transmitido em directo pela RNA e pela Rádio Cultura Angola, o espectáculo amplia o seu alcance a todo o território nacional, permitindo que o tributo ultrapasse fronteiras físicas e chegue aos lares angolanos.
O projecto Caldo do Poeira, relançado após mais de uma década de interregno, afirma-se como uma plataforma de valorização da música angolana, resgatando legados e promovendo o diálogo entre passado e presente.
BANGÃO: O FILHO DO SAMBIZANGA QUE ENCANTOU GERAÇÕES
Nascido a 27 de Setembro de 1962, no bairro Brás, no Sambizanga, Bangão construiu uma carreira sólida assente na autenticidade do semba e na capacidade de traduzir o quotidiano angolano em música.
Com álbuns como Sembele, Cuidado e Estou de Volta, destacou-se pela sua voz inconfundível e pela profundidade das suas composições. Em 2005, venceu o Top dos Mais Queridos da RNA, consolidando o seu estatuto entre os grandes da música nacional.
Ao longo da sua trajectória, partilhou palcos internacionais, incluindo actuações com o brasileiro Gilberto Gil, levando o semba além-fronteiras e afirmando Angola no panorama musical global.
Falecido a 17 de Maio de 2015, na África do Sul, Bangão permanece como uma referência incontornável da cultura angolana.
NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI | CULTURA
A celebração da obra de Bangão no Caldo do Poeira reafirma o papel da cultura como elemento estruturante da identidade nacional e instrumento de coesão social.
Eventos desta natureza vão além da dimensão artística: funcionam como espaços de educação cultural, transmissão de valores e preservação da memória colectiva. Ao reunir diferentes gerações em torno de um legado comum, promove-se um sentimento de pertença e continuidade histórica.
O impacto social manifesta-se também na valorização dos artistas nacionais e na criação de plataformas que permitem a circulação de conteúdos culturais de qualidade. A transmissão em rádio amplia esse alcance, democratizando o acesso e reforçando a literacia cultural.
Num país em construção permanente, investir na cultura é investir na consciência colectiva. E figuras como Bangão continuam a ensinar que a música, mais do que entretenimento, é narrativa, identidade e resistência.
FONTE: Jornal de Angola
Alinhamento Editorial – Classe CULTURA: PRESSdigi.ao


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