BRASIL-ÁFRICA | Fórum de Reitores reforça cooperação académica, científica e diplomática entre os povos do Sul Global

Brasília acolhe encontro histórico com universidades africanas e brasileiras em defesa da educação, inovação e memória colectiva

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil (MDHC) participou, na segunda-feira, 25 de Maio de 2026, da cerimónia oficial de abertura do 1.º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília, num encontro estratégico voltado ao fortalecimento das relações académicas, científicas, culturais e diplomáticas entre o Brasil e o continente africano.

A cerimónia contou com a presença do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, além de representantes governamentais, diplomáticos, universidades e delegações académicas de dezenas de países africanos.

Educação superior como ponte entre África e Brasil

Durante a abertura oficial, o Presidente Lula destacou a importância da cooperação entre os países do Sul Global e anunciou o programa “Capes Move África”, iniciativa que prevê a concessão de 2,6 mil bolsas académicas destinadas a estudantes africanos de mestrado e doutoramento para formação em universidades brasileiras por um período de até dez meses.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, o fortalecimento dos programas de intercâmbio universitário e pós-graduação representa um passo estratégico para consolidar a educação superior como um dos principais pilares das relações entre Brasil e África.

Lula sublinhou ainda que os avanços tecnológicos e digitais permitem ampliar a cooperação internacional de forma mais dinâmica, acessível e economicamente sustentável.

Cooperação estratégica para desafios globais

O Presidente brasileiro destacou igualmente o potencial comum entre Brasil e países africanos em sectores ligados à energia renovável, preservação ambiental, soberania alimentar, ciência, inovação, inteligência artificial e sustentabilidade.

Para Lula, a aproximação académica e científica pode contribuir significativamente para enfrentar desafios globais contemporâneos como fome, pobreza, desigualdade social e alterações climáticas.

O encontro reforça igualmente o papel da diplomacia do conhecimento como ferramenta de integração entre povos historicamente ligados por laços culturais, ancestrais e linguísticos.

Memória, reparação histórica e direitos humanos

A ministra Janine Mello destacou o simbolismo do Dia de África, celebrado a 25 de Maio, afirmando que o Governo brasileiro reafirma a sua proximidade histórica com o continente africano através do fortalecimento da cooperação institucional e académica.

Segundo a responsável, a cooperação universitária entre Brasil e África vai além da troca de conhecimentos técnicos e científicos, assumindo também um papel estratégico na construção de políticas de memória, verdade histórica e reparação civilizacional.

Janine Mello recordou ainda a participação activa do MDHC na aprovação da resolução da Organização das Nações Unidas que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como um dos mais graves crimes contra a humanidade.

A ministra reforçou igualmente o compromisso do Brasil em consolidar parcerias permanentes entre instituições académicas africanas e brasileiras, visando a produção conjunta de conhecimento e o desenvolvimento de políticas públicas sustentadas em evidências científicas.

Fórum reúne universidades de 33 países africanos

O 1.º Fórum de Reitores Brasil-África decorre entre os dias 25 e 27 de Maio, reunindo delegações de 33 países africanos, representando cerca de 75 universidades do continente, além de instituições federais, estaduais e comunitárias brasileiras.

A programação inclui painéis temáticos, workshops, seminários e reuniões bilaterais voltadas à criação de novas parcerias universitárias, ampliação de programas de mobilidade académica, investigação científica e cooperação tecnológica.

Participam igualmente ministros brasileiros das áreas da Educação, Relações Exteriores, Cultura, Ciência e Tecnologia, Igualdade Racial e Empreendedorismo, além de diplomatas, investigadores, gestores universitários e estudantes.

Diplomacia académica fortalece pontes afro-diaspóricas

O fórum surge como um importante marco nas relações contemporâneas entre África e Brasil, reforçando os laços históricos e culturais construídos ao longo de séculos entre os povos africanos e afrodescendentes na América Latina.

Num momento em que o continente africano ganha crescente protagonismo geopolítico e académico, iniciativas desta natureza ampliam as possibilidades de intercâmbio intelectual, desenvolvimento científico e integração cultural entre universidades do Sul Global.

Fonte: REDE INTERNACIONAL | Gazeta Paulista – Correspondente Internacional
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