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Luanda — O espaço cultural Prova d’Art Miramar voltou a transformar-se num verdadeiro palco de memória e identidade ao receber, no projecto “Domingos à Nossa Maneira”, a emblemática orquestra Os Jovens do Prenda. O concerto reuniu amantes da música popular angolana, artistas, jornalistas e várias gerações que celebraram juntos mais de meio século de história do Semba.
A actuação, realizada no domingo (15), confirmou o lugar especial que o grupo ocupa na cultura nacional, apresentando um repertório marcado pela força rítmica das guitarras, percussões vibrantes e a condução vocal que caracteriza a banda desde os seus primeiros anos no bairro do Prenda, em Luanda.

Uma banda que atravessa gerações
Fundados em 1968 no bairro do Prenda, os Jovens do Prenda tornaram-se um dos mais importantes símbolos da música popular angolana. O grupo destacou-se pela sonoridade própria do semba urbano, marcada por guitarras que reproduzem timbres de instrumentos tradicionais e por letras em linguas nacionais, principalmente o Kinbundo, que narram a vida social e cultural de Luanda.
Entre os nomes históricos ligados ao percurso da banda estão figuras como Chico Montenegro, considerado um dos pilares da formação e da consolidação artística do grupo.
Ao longo de mais de cinco décadas, a banda marcou gerações com temas como “Chiquita”, “Bela”, “Nova Cooperação” e “Lamento de Mãe”, consolidando-se como um verdadeiro património vivo da música angolana.

Um momento simbólico no palco
O concerto no Prova d’Art ficou marcado por um momento particularmente emocionante. As netas do lendário músico Zé Kenu subiram ao palco para actuar ao lado dos Jovens do Prenda, simbolizando a continuidade entre gerações da música angolana.
O gesto comoveu o músico Don Caetano, que subiu ao palco para felicitar as jovens artistas e recordar a importância de Zé Kenu como uma das grandes referências da sua formação musical.
O ambiente tornou-se ainda mais caloroso quando jornalistas presentes sugeriram, em tom de surpresa, um breve momento de celebração pelo aniversário recente do jornalista Regisdo Silva, assinalado no passado dia 5 de Março, transformando o encontro num momento de confraternização entre artistas, público e profissionais da comunicação social.

O legado continua com novas vozes
Outro destaque da noite foi a presença do músico Tony do Fumo Jr., herdeiro artístico do lendário Tony do Fumo. Seguindo a tradição do pai, Tony do Fumo Jr. mantém viva a essência do semba, reafirmando o compromisso das novas gerações com a preservação e reinvenção da música angolana.
A energia em palco demonstrou que a ligação entre “kotas e putos”, como se diz popularmente em Luanda, continua a garantir a transmissão de experiências, valores e identidade cultural.

Cultura com endereço em Luanda
O projecto “Domingos à Nossa Maneira” tem vindo a consolidar o Prova d’Art como um dos principais pontos de encontro da cultura na capital angolana. Localizado no bairro do Miramar, no município da Ingombota, o espaço afirma-se como um centro de celebração da música, das artes e da convivência cultural.
Mais do que um espectáculo musical, a tarde de domingo confirmou que a arte e a cultura angolana continuam vivas, activas e profundamente enraizadas nas comunidades.

Presença da comunicação social
O evento contou também com a presença de diversos profissionais da comunicação social, que registaram e documentaram este momento cultural. Entre eles esteve a dupla dos fotojornalista culturais Luís Damião, do Jornal de Angola e Daltron Costa, do portal Press.digi, acompanhados por colegas de outros órgãos de imprensa que continuam a desempenhar um papel essencial na preservação da memória cultural do país.

Nota complementar — Mestres da dança também marcaram a festa
A atmosfera festiva vivida no espaço cultural Prova d’Art Miramar ganhou ainda mais brilho com a presença de veteranos da dança que transformaram a pista num verdadeiro palco paralelo ao concerto da lendária banda Os Jovens do Prenda.
Entre os nomes que mais entusiasmaram o público estiveram os reconhecidos bailarinos Puto Catete e António Rosa, considerados autênticos mestres das “passadas” do semba. Ambos são fundadores do grupo e escola de dança Os Kotas que Bailam, uma iniciativa dedicada à preservação e transmissão das técnicas tradicionais de dança às novas gerações.
Durante o espectáculo, a energia que vinha do palco encontrou resposta imediata na pista de dança, onde os “kotas” mostraram que o semba não vive apenas na música, mas também no movimento, no ritmo e na elegância das passadas que fazem parte da identidade cultural de Luanda.
De um lado, a banda conduzia o público pelos clássicos da música popular angolana; do outro, uma concorrida pista de dança transformava-se numa aula viva de semba, onde a presença do Grupo Carnavalesco – União Kiela também marcou presença o que colocou jovens e veteranos a partilharem passos, sorrisos e cumplicidade.
Mais do que entretenimento, o momento evidenciou a força da tradição transmitida de geração em geração — uma demonstração clara de que a música e a dança continuam a caminhar juntas como expressões inseparáveis da cultura angolana.

Nota editorial — Cultura como ponte para memória e futuro
Iniciativas como estas demonstram que a música, quando associada a espaços culturais consistentes e à participação activa da comunidade, transforma-se numa poderosa ferramenta de preservação da memória colectiva.
O encontro entre mestres da música e jovens artistas revela que a continuidade cultural depende do diálogo entre gerações. Mais do que entretenimento, projectos como o Domingos à Nossa Maneira ajudam a consolidar uma verdadeira economia cultural baseada na valorização da identidade, na formação de novos talentos e na criação de circuitos culturais sustentáveis.
Ao documentar e divulgar estes momentos, a comunicação social cumpre um dos seus papéis mais nobres: registar a história viva das comunidades e dar visibilidade aos operários da arte e da cultura que mantêm acesa a chama da identidade angolana.


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