Mbanza Kongo acolhe lançamento do projecto “Dikanda do Reino do Kongo” para reforçar investigação, memória e identidade africana

PATRIMÓNIO | HISTÓRIA | MEMÓRIA CULTURAL

Iniciativa reúne especialistas, investigadores e agentes culturais numa programação dedicada à valorização do património histórico do antigo Reino do Kongo e à preservação da memória colectiva

A cidade de Mbanza Kongo, Património Mundial da UNESCO, recebe hoje o lançamento oficial do projecto “Dikanda do Reino do Kongo”, uma iniciativa dedicada à valorização da história, da identidade e da herança cultural do antigo Reino do Kongo, através de um amplo programa de conferências, workshops, actividades artísticas e visitas ao património histórico.

As actividades decorrem no Museu Regional do Reino do Kongo, prolongando-se por três dias, reunindo investigadores, académicos, artistas e representantes de diversas instituições culturais nacionais e internacionais.

Projecto promove reflexão sobre a identidade histórica do Reino do Kongo

A programação científica inicia com o painel “Mbanza Kongo: Um Museu ao Ar Livre”, apresentado pelo docente universitário André Nlandu, que abordará a importância histórica, arqueológica e patrimonial da antiga capital do Reino do Kongo enquanto espaço vivo de memória e identidade africana.

Seguidamente, o investigador Afonso Nsambu Júnior apresentará o tema “A Busca por um Passado Comum: A Existência de uma Nação Kongo Anterior à Conferência de Berlim – História, Mitos, Realidade e Memórias”, propondo uma reflexão sobre os processos históricos que antecederam a divisão territorial do continente africano durante o período colonial.

Programação integra investigação, arte contemporânea e inovação digital

Além dos painéis académicos, o projecto contempla um conjunto de actividades multidisciplinares que aproximam investigação científica, património e criação artística contemporânea.

Entre as iniciativas previstas destacam-se:

  • Workshops de investigação histórica e patrimonial;
  • Conferências temáticas;
  • Lançamento de uma plataforma digital de arquivo trilíngue (kikongo, português e inglês);
  • Performance artística contínua “LUMBO 24 Horas”, aberta ao público;
  • Visitas guiadas ao Centro Histórico e Patrimonial de Mbanza Kongo.

A segunda fase do projecto decorrerá entre os dias 20 e 25 de Julho, em Luanda, envolvendo o Camões – Centro Cultural Português e o Magistério Mutu-ya-Kevela, ampliando o intercâmbio entre diferentes espaços dedicados à investigação e promoção do património cultural angolano.

Cooperação cultural fortalece preservação da memória africana

Sob direcção artística de Jamil “Parasol” Osmar, o projecto resulta de uma ampla parceria entre instituições culturais angolanas e internacionais.

Participam na iniciativa a Casa de Cultura e Artes Ubuntu, o Arquivo da Identidade Angolano (AIA), a Rádio Nacional de Angola, o Teatro VOVA, o Camões – Centro Cultural Português e o Goethe-Institut Angola.

O projecto conta igualmente com o apoio institucional do Governo Provincial do Zaire, do Museu dos Reis do Kongo e da Refriango.

Património cultural como instrumento de desenvolvimento e integração

“Dikanda do Reino do Kongo” pretende afirmar-se como uma plataforma permanente de investigação, documentação e divulgação do património histórico do antigo Reino do Kongo, incentivando o diálogo entre comunidades, investigadores e instituições culturais.

A iniciativa procura igualmente reforçar a preservação da memória colectiva, promover o conhecimento sobre a história africana e estimular novas abordagens de valorização do património material e imaterial, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural e do turismo histórico em Angola.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola

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