Ndaka Yo Wiñi defende maior valorização dos ritmos nacionais como património da identidade angolana

MÚSICA | PATRIMÓNIO | IDENTIDADE CULTURAL

Investigador cultural considera que a música tradicional, as línguas nacionais e a oralidade constituem pilares essenciais para preservar a memória e fortalecer a cultura angolana

O músico, compositor, instrumentista e investigador cultural Ndaka Yo Wiñi defendeu, em Luanda, a necessidade de reforçar a divulgação dos ritmos, das canções e das expressões musicais angolanas, destacando a música como um dos principais instrumentos de preservação da identidade cultural nacional.

As declarações foram feitas à margem das comemorações dos 50 anos das Edições Novembro, onde o artista participou como convidado na programação cultural, apresentando um repertório inspirado na ancestralidade africana, nas línguas nacionais e na tradição oral.

Diversidade cultural como riqueza nacional

Durante a sua intervenção, Ndaka Yo Wiñi sublinhou que Angola possui um vasto património cultural, expresso na diversidade de línguas, ritmos, danças, tradições e manifestações artísticas existentes em todo o território nacional.

Na sua visão, a promoção permanente desse património constitui um compromisso colectivo, tanto para fortalecer a identidade cultural no país como para projectar a riqueza cultural angolana além-fronteiras.

O artista defendeu igualmente o incentivo à produção e divulgação de obras musicais de matriz genuinamente angolana, valorizando o uso das línguas nacionais e outros elementos característicos da cultura bantu.

Música como instrumento de preservação da memória

Conhecido pelo seu trabalho de investigação sobre a tradição oral africana, Ndaka Yo Wiñi afirmou que as suas composições procuram estabelecer uma ponte entre o presente e os conhecimentos transmitidos pelos antepassados.

As suas obras integram provérbios, narrativas tradicionais e referências culturais que dialogam com sonoridades contemporâneas, particularmente o afrojazz, promovendo uma leitura actual da herança cultural angolana.

Segundo o músico, preservar a cultura passa igualmente por criar condições para que as novas gerações conheçam e valorizem os saberes tradicionais que moldam a identidade do país.

A cabaça como símbolo da ancestralidade

Um dos elementos mais marcantes da identidade artística de Ndaka Yo Wiñi é a utilização de uma cabaça herdada da sua avó, objecto que o acompanha em diversas apresentações e que representa, segundo o próprio, a ligação permanente às raízes ancestrais.

Mais do que um instrumento cénico, a cabaça simboliza a continuidade da memória colectiva e da tradição oral, reforçando o compromisso do artista com a valorização do património cultural africano.

Percurso artístico dedicado às línguas nacionais

Natural da cidade do Lobito, província de Benguela, Adriano Dokas, conhecido artisticamente como Ndaka Yo Wiñi — expressão em umbundu que significa “A Voz do Povo” — desenvolve desde 2011 um percurso artístico centrado na valorização das línguas nacionais e da identidade cultural angolana.

Ao longo da carreira, o músico tem conjugado investigação cultural, composição musical e performance artística, assumindo a música como um veículo de transmissão de conhecimento, memória e afirmação da herança africana.

Cultura como legado para as futuras gerações

A intervenção de Ndaka Yo Wiñi reforça a importância das políticas e iniciativas voltadas para a preservação do património cultural imaterial, incentivando a divulgação dos ritmos tradicionais, da oralidade e das línguas nacionais como elementos fundamentais para consolidar a identidade de Angola.

Num contexto de crescente intercâmbio cultural internacional, a valorização das expressões artísticas nacionais continua a afirmar-se como um importante instrumento de promoção da diversidade cultural e da memória colectiva do povo angolano.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola

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