“Ninguém deve ficar para trás”: Angola aposta na excelência e envia 79 profissionais de saúde para formação internacional

Ministra Sílvia Lutucuta reforça exigência, disciplina e compromisso nacional na capacitação de quadros que vão estudar no Brasil e Portugal

ANGOLA INVESTE NO CAPITAL HUMANO DA SAÚDE

O Ministério da Saúde (MINSA) realizou, em Luanda, no Complexo Hospitalar General Pedro Maria Tonha “Pedalé”, a cerimónia de acolhimento de 79 profissionais de saúde bolseiros que seguirão, ainda esta semana, para programas de formação no exterior, com destaque para o Brasil.

O acto foi orientado pela Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que dirigiu uma mensagem firme aos bolseiros, sublinhando o sentido de missão e responsabilidade que acompanha esta oportunidade.

“Estamos a investir em vocês para que regressem melhores. Ninguém deverá ficar para trás”, afirmou.


FORMAÇÃO EM ÁREAS ESTRATÉGICAS

Os profissionais irão frequentar cursos de curta, média e longa duração, podendo atingir até quatro anos de formação, em especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Nacional de Saúde.

Entre as áreas contempladas destacam-se Medicina de Família, Pediatria, Oncologia, Nefrologia, Fisioterapia, Engenharia Clínica, Psicologia em Saúde e Fisiologia do Desporto, entre outras.

A iniciativa enquadra-se no Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), financiado pelo Banco Mundial, que prevê capacitar até 2028 cerca de 38 mil profissionais, com uma forte aposta na formação interna e complementar no exterior.


DISCIPLINA, ÉTICA E REPRESENTAÇÃO NACIONAL

Num discurso directo, a titular da pasta da Saúde enfatizou que os bolseiros representam Angola além-fronteiras, devendo manter conduta ética, respeito cultural e responsabilidade no uso dos recursos públicos.

“Vão com responsabilidade acrescida. O país está a contar convosco para absorver conhecimento e trazer soluções”, reforçou.

Entre as orientações destacam-se o foco absoluto na formação, o respeito pelas leis dos países de acolhimento, a preservação da imagem nacional e a boa gestão financeira.


RESULTADOS JÁ ALCANÇADOS PELO PROGRAMA

De acordo com dados apresentados pela coordenação do projecto, mais de 13 mil profissionais já foram capacitados, sendo que mais de mil formações ocorreram no exterior e centenas de quadros já regressaram ao país, integrando o sistema nacional de saúde.

O programa assegura ainda mecanismos de acompanhamento contínuo e estabelece a obrigatoriedade de permanência mínima de cinco anos no serviço público após a conclusão da formação.


COMPROMISSO COM O FUTURO DA SAÚDE

A ministra reconheceu os desafios pessoais enfrentados pelos bolseiros, muitos dos quais deixam as suas famílias, destacando que este sacrifício representa um compromisso maior com o país.

Angola espera mais de vocês. Regressem preparados, disciplinados e prontos para servir melhor os cidadãos”, concluiu.


NOTA EDITORIAL | PRESSDIGI

A formação de quadros no exterior representa uma das estratégias mais consistentes para acelerar a qualidade dos serviços públicos em países em desenvolvimento. No caso de Angola, este investimento ganha uma dimensão ainda mais profunda ao focar-se directamente na saúde — um dos pilares essenciais da dignidade humana.

O impacto social desta iniciativa não se mede apenas no número de profissionais formados, mas na capacidade real de transformar o atendimento médico, reduzir desigualdades no acesso aos cuidados e aproximar o sistema de saúde das necessidades concretas da população.

A cooperação com países como o Brasil reforça, igualmente, uma lógica de intercâmbio baseada em afinidades históricas, linguísticas e culturais, criando um ambiente mais favorável à aprendizagem e adaptação dos profissionais.

No entanto, o verdadeiro desafio começa no regresso. É na reintegração destes quadros, na valorização das suas competências e na criação de condições de trabalho adequadas que se decide o sucesso desta política pública.

Há também um papel determinante para sectores como a educação, a comunicação social e a cultura, na construção de uma nova consciência sobre saúde pública, ética profissional e responsabilidade colectiva.

Formar é investir. Mas integrar, valorizar e dar continuidade é o que transforma investimento em desenvolvimento.


FONTE: MINSA – UIP/PFRHS
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao